Lágrimas caem do céu. Será que existem tantos olhos lá em cima para despejar todo este pranto? As gotas tocam o chão e se dispersam, formando pequenos rios e lagos correndo rumo a liberdade... Lagos esses onde posso ver minha face molhada.
Folheio páginas amareladas de um belíssimo livro de capa dura. As palavras roubam a atenção deste fim de tarde e pairam no ar... Protagonistas etéreas da novela impossível que é minha imaginação. Roubam-me o momento e, em troca, oferecem-me um mundo de sensações que só consigo vivenciar através delas.
domingo, 26 de setembro de 2010
sábado, 25 de setembro de 2010
Sleep, sleep, beauty bright...
E nestes dias sonolentos, o vinho é a companhia... E a panacéia é o esquecimento.

Danae, arte de Rembrandt.
CRADLE SONG
by: William Blake (1757-1827)
SLEEP, sleep, beauty bright,
Dreaming in the joys of night;
Sleep, sleep; in thy sleep
Little sorrows sit and weep.
Sweet babe, in thy face
Soft desires I can trace,
Secret joys and secret smiles,
Little pretty infant wiles.
As thy softest limbs I feel,
Smiles as of the morning steal
O'er thy cheek, and o'er thy breast
Where thy little heart doth rest.
O the cunning wiles that creep
In thy little heart asleep!
When thy little heart doth wake,
Then the dreadful night shall break.

Danae, arte de Rembrandt.
CRADLE SONG
by: William Blake (1757-1827)
SLEEP, sleep, beauty bright,
Dreaming in the joys of night;
Sleep, sleep; in thy sleep
Little sorrows sit and weep.
Sweet babe, in thy face
Soft desires I can trace,
Secret joys and secret smiles,
Little pretty infant wiles.
As thy softest limbs I feel,
Smiles as of the morning steal
O'er thy cheek, and o'er thy breast
Where thy little heart doth rest.
O the cunning wiles that creep
In thy little heart asleep!
When thy little heart doth wake,
Then the dreadful night shall break.
Descrevendo:
Danae,
Rembrandt,
William Blake
domingo, 19 de setembro de 2010
Direito de ser Ateu e Autoritarismo Religioso
Finalmente uma opinião excêntrica com relação ao senso comum, e ainda assim, coerente. Sem atacar, utilizando-se de argumentos. Uma pérola.
Descrevendo:
Ateísmo,
Autoritarismo
domingo, 12 de setembro de 2010
A Decade of Reinventing The Cello
Sem dúvida alguma, esses meninos são fenomenais com o violoncelo. Fico boquiaberta quando páro e assisto algum vídeo deles, ou o dvd que possuo. O concerto deles é sem igual! Realmente vale a pena assistir!
O que pode-se notar com facilidade é a pegada mais pesada deles, porque (claro!) são finlandeses e consequentemente, são amantes do bom e velho rock (ou metal, no caso do solo finlandês)!
A banda foi formada em 1993, e desde então, produziram 6 álbuns (milimetricamente construídos com bom gosto). Algumas músicas com vocal - feminino ou masculino - e a grande parte, somente instrumental.
Descrevendo:
Apocalyptica,
violoncelo
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Escrevo para me aliviar (trecho)
"Só tenho vontade de escrever num estado explosivo, na excitação ou na crispação, num estupor transformado em frenesi, num clima de ajuste de contas em que as invectivas substituem as bofetadas e os golpes.(...) Escrevo para não passar ao ato, para evitar uma crise. A expressão é alívio, desforra indireta daquele que não consegue digerir uma vergonha e que se revolta em palavras contra os seus semelhantes e contra si mesmo. A indignação é menos um gesto moral que literário, é mesmo a mola da inspiração. E a sabedoria? É justamente o oposto. O sábio em nós arruina todos os nossos élans, é o sabotador que nos enfraquece e nos paralisa, que espreita em nós o louco para dominá-lo e comprometê-lo, para desonrá-lo. A inspiração? Um desequilíbrio súbito, volúpia inominável de se afirmar ou de se destruir. Não escrevi uma única linha na minha temperatura normal.(...) Escrever é uma provocação, uma visão infelizmente falsa da realidade, que nos coloca acima do que existe e do que nos parece existir. Competir com Deus, ultrapassá-lo mesmo apenas pela força da linguagem, esta é a proeza do escritor, espécime ambíguo, dilacerado e enfatuado que, livre da sua condição natural, se entregou a uma vertigem magnífica, sempre desconcertante, algumas vezes odiosa. Nada mais miserável do que a palavra, e no entanto, é através dela que atingimos sensações de felicidade, uma dilatação última em que estamos completamente sós, sem o menor sentimento de opressão. O supremo alcançado pelo vocábulo, pelo próprio símbolo da fragilidade! Pode-se alcançá-lo também, curiosamente, através da ironia, com a condição de que esta, levando ao extremo sua obra de demolição, cause arrepios de um deus às avessas. As palavras como agente de um êxtase invertido... Tudo o que é realmente intenso participa do paraíso e do inferno, com a diferença de que o primeiro só podemos entrevê-lo, enquanto o segundo temos a sorte de percebê-lo e, mais ainda, de senti-lo. Existe uma vantagem ainda mais notável de que o escritor tem o monopólio: a de se livrar de seus perigos. Sem a faculdade de encher as páginas, me pergunto o que eu viria a ser. Escrever é desfazer-se de seus remorsos e rancores, vomitar seus segredos. O escritor é um desequilibrado que utiliza essas ficções que são as palavras para se curar. Quantas angústias, quantas crises sinistras venci graças a esses remédios insubstanciais!"
Emil Cioran
Emil Cioran
Descrevendo:
Emil Cioran
terça-feira, 31 de agosto de 2010
domingo, 22 de agosto de 2010
O Auto-Retrato

Gustave Courbet, auto-retrato.
No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...
às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...
e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,
no final, que restará?
Um desenho de criança...
Terminado por um louco!
Mario Quintana
Descrevendo:
Auto-retrato,
Gustave Courbet,
Mario Quintana
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Vou-me embora pra Pasárgada...
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Genial poesia de Manuel Bandeira
Descrevendo:
Manuel Bandeira,
Pasárgada
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