domingo, 3 de outubro de 2010

That thou hast her it is not all my grief





















That thou hast her, it is not all my grief,
And yet it may be said I loved her dearly;
That she hath thee, is of my wailing chief,
A loss in love that touches me more nearly.

Loving offenders, thus I will excuse ye:
Thou dost love her, because thou knowst I love her;
And for my sake even so doth she abuse me,
Suffering my friend for my sake to approve her.

If I lose thee, my loss is my love's gain,
And losing her, my friend hath found that loss;
Both find each other, and I lose both twain,

And both for my sake lay on me this cross:
But here's the joy; my friend and I are one;
Sweet flattery! then she loves but me alone.

Shakespeare


Obs.: A imagem é The end of the quest, do Sir Frank Dicksee (Adoro as imagens dele, são realmente incríveis. Parece que me transmitem a outra dimensão, ou melhor, a outra era.)

domingo, 26 de setembro de 2010

Sink or swim...?

Lágrimas caem do céu. Será que existem tantos olhos lá em cima para despejar todo este pranto? As gotas tocam o chão e se dispersam, formando pequenos rios e lagos correndo rumo a liberdade... Lagos esses onde posso ver minha face molhada.
Folheio páginas amareladas de um belíssimo livro de capa dura. As palavras roubam a atenção deste fim de tarde e pairam no ar... Protagonistas etéreas da novela impossível que é minha imaginação. Roubam-me o momento e, em troca, oferecem-me um mundo de sensações que só consigo vivenciar através delas.

sábado, 25 de setembro de 2010

Sleep, sleep, beauty bright...

E nestes dias sonolentos, o vinho é a companhia... E a panacéia é o esquecimento.


Danae, arte de Rembrandt.


CRADLE SONG
by: William Blake (1757-1827)


SLEEP, sleep, beauty bright,
Dreaming in the joys of night;
Sleep, sleep; in thy sleep
Little sorrows sit and weep.

Sweet babe, in thy face
Soft desires I can trace,
Secret joys and secret smiles,
Little pretty infant wiles.

As thy softest limbs I feel,
Smiles as of the morning steal
O'er thy cheek, and o'er thy breast
Where thy little heart doth rest.

O the cunning wiles that creep
In thy little heart asleep!
When thy little heart doth wake,
Then the dreadful night shall break.

domingo, 19 de setembro de 2010

Direito de ser Ateu e Autoritarismo Religioso



Finalmente uma opinião excêntrica com relação ao senso comum, e ainda assim, coerente. Sem atacar, utilizando-se de argumentos. Uma pérola.

domingo, 12 de setembro de 2010

A Decade of Reinventing The Cello




Sem dúvida alguma, esses meninos são fenomenais com o violoncelo. Fico boquiaberta quando páro e assisto algum vídeo deles, ou o dvd que possuo. O concerto deles é sem igual! Realmente vale a pena assistir!
O que pode-se notar com facilidade é a pegada mais pesada deles, porque (claro!) são finlandeses e consequentemente, são amantes do bom e velho rock (ou metal, no caso do solo finlandês)!
A banda foi formada em 1993, e desde então, produziram 6 álbuns (milimetricamente construídos com bom gosto). Algumas músicas com vocal - feminino ou masculino - e a grande parte, somente instrumental.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Escrevo para me aliviar (trecho)

"Só tenho vontade de escrever num estado explosivo, na excitação ou na crispação, num estupor transformado em frenesi, num clima de ajuste de contas em que as invectivas substituem as bofetadas e os golpes.(...) Escrevo para não passar ao ato, para evitar uma crise. A expressão é alívio, desforra indireta daquele que não consegue digerir uma vergonha e que se revolta em palavras contra os seus semelhantes e contra si mesmo. A indignação é menos um gesto moral que literário, é mesmo a mola da inspiração. E a sabedoria? É justamente o oposto. O sábio em nós arruina todos os nossos élans, é o sabotador que nos enfraquece e nos paralisa, que espreita em nós o louco para dominá-lo e comprometê-lo, para desonrá-lo. A inspiração? Um desequilíbrio súbito, volúpia inominável de se afirmar ou de se destruir. Não escrevi uma única linha na minha temperatura normal.(...) Escrever é uma provocação, uma visão infelizmente falsa da realidade, que nos coloca acima do que existe e do que nos parece existir. Competir com Deus, ultrapassá-lo mesmo apenas pela força da linguagem, esta é a proeza do escritor, espécime ambíguo, dilacerado e enfatuado que, livre da sua condição natural, se entregou a uma vertigem magnífica, sempre desconcertante, algumas vezes odiosa. Nada mais miserável do que a palavra, e no entanto, é através dela que atingimos sensações de felicidade, uma dilatação última em que estamos completamente sós, sem o menor sentimento de opressão. O supremo alcançado pelo vocábulo, pelo próprio símbolo da fragilidade! Pode-se alcançá-lo também, curiosamente, através da ironia, com a condição de que esta, levando ao extremo sua obra de demolição, cause arrepios de um deus às avessas. As palavras como agente de um êxtase invertido... Tudo o que é realmente intenso participa do paraíso e do inferno, com a diferença de que o primeiro só podemos entrevê-lo, enquanto o segundo temos a sorte de percebê-lo e, mais ainda, de senti-lo. Existe uma vantagem ainda mais notável de que o escritor tem o monopólio: a de se livrar de seus perigos. Sem a faculdade de encher as páginas, me pergunto o que eu viria a ser. Escrever é desfazer-se de seus remorsos e rancores, vomitar seus segredos. O escritor é um desequilibrado que utiliza essas ficções que são as palavras para se curar. Quantas angústias, quantas crises sinistras venci graças a esses remédios insubstanciais!"


Emil Cioran

terça-feira, 31 de agosto de 2010

domingo, 22 de agosto de 2010

O Auto-Retrato



Gustave Courbet, auto-retrato.


No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...

às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...

e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,

no final, que restará?
Um desenho de criança...
Terminado por um louco!

Mario Quintana