segunda-feira, 7 de maio de 2012

O conhecer

Quando pensamos conhecer alguém,
Descobrimos pensar apenas,
pois o conhecer, na sua mais profunda expressão,
é o verdadeiro desconhecer.
E, mergulhados em nossos próprios pensamentos,
nos afundamos numa ideia infundada,
criada por uma ilusão dos nossos olhos
e mentes.
Achamos conhecer somente um pensamento,
algo idealizado em nossos corações,
que, no fim das contas, não passa
de uma mentira deslavada.
Criada, e cultivada, pelos nossos medos.

Th.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

It is what it is

Daí você se pega pensando no quão complicada a vida é,
pensa e repensa nos seus próprios atos e sentimentos,
Quando resolve que não há nada decisivo.
Tudo nessa vida tem solução,
boa ou ruim.
Mescla-se as escolhas, na maioria das vezes.
Quando um lado pesa mais,
nos cansamos e gritamos.
Noutro, nos entediamos e inertes ficamos.
Saber o poder de decidir
É, por si só, decisivo.
A dor não é por ter escolhido errado,
Mas por não ter coragem de voltar atrás.

Th.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Às oito

Uma pedrada forte na cabeça.
Sangue que jorra fatidicamente.
- Estou morrendo - Ela pensou.
E o mundo ainda gira, velozmente...
Mesmo que ela esteja inconsciente.
Essa sensação a corrói desde os 15 anos.
É uma tola, eu diria.
E ela vive o seu cotidiano como quem espera a morte.
Num tédio só.
Nenhuma alegria a consome,
nenhum sorriso a aguarda.
A desesperança existe em si.
- Estou aflita. E suja. - Ela conclui.
Uma aflição inevitável e inexorável, quase sobre-humana.
Suja de lágrimas, suor e decepção.
Ela esperava um mundo melhor,
feito de pessoas melhores.
Mas encontrou este lugar escuro e repleto de desilusão.
Que fazer se deu seu coração?
Mas ele foi cruelmente amassado com as mãos,
e o sangue grosso escorreu entre os dedos.
Depois foi pisoteado e deixado ao Sol.
Abandonado aos urubus.
Quem haveria de saber que a história terminaria tão mal?
Ou sequer, terminaria.
Ele jamais teve coragem de dizer adeus.
Ele jamais teve, ao menos, coragem.
Não se sabia o que passava dentro dele,
ou por trás de seus olhos verdes.
Sempre enigmático. Sempre tão reticente.
As palavras lhe pareciam inconsistentes,
Quando para ela,
São mais que essenciais.
Uma frase poderia destruir-lhe o dia,
ou o ano.
Ele costumava saber usá-las ao seu próprio bem,
mas desaprendeu
Ou cansou.
Não se sabe muito bem
Se era amor ou se desandou.

Th.


quinta-feira, 1 de março de 2012

Amor é o funeral dos corações e um ode à crueldade

Um sentimento de não mais sentir.
Uma dor profunda que não se cala com qualquer palavra.
Um choro agudo e angustiante que cisma em cair.
Os olhos, lacrimejantes
E o coração, dolorido e frágil.
"Está tudo terminado" foi o que ele disse...
E ela retrucou perguntando
"O que exatamente?".
Ela fingiu não se importar
Mas tudo que ela mais desejava era gritar...
Queria, do fundo palpitante de teu peito, um coração para ter
O seu fora roubado
E um novo lhe foi negado.
As palavras são parcas e inexpressivas perante a dor que a afligiu,
tamanha intensidade de seus sentimentos.
Ela se entregava por inteira,
mas jamais teve o mesmo...
Nunca foi recíproco.
Acho que ninguém jamais entenderá como é se entregar como ela fez,
de corpo, alma e mente,
Com tanta certeza e tanto amor.
Jamais compreenderão a profundidade dela.
Acharão que é mais um amor que vem e vai,
passa e deixa poucos vestígios.
Mal sabem eles que ela fora contaminada,
Este câncer que é amar...
Amar e não ter.
Amar e receber palavras ardidas e impiedosas.
Amar e ter o não como resposta.
Ela agora tornou-se um robô...
Busca não mais sentir
E não mais criar aqueles pequenos demônios
Chamados expectativas.
Desviar-se-á da vida como o diabo foge da cruz,
E criará uma máscara para não mais sofrer.
A dor ensinou-a a ser forte,
embora os músculos se retorçam
e a mente fraqueje.
Esquecerá os sonhos,
pois já foram destruídos.
Tomará mais antidepressivos
E mais remédios para seguir com sua existência maldita.
Deixará a inércia tomar conta do seu ser.
Digo e aviso a todos: a inércia é a melhor saída
Porém é a mais perigosa.
Traumatizado o ser, já inerte,
Mergulhará num oceano de esquecimento
E indiferença perante o mundo.
Nada mais terá a mesma cor,
nem o mesmo sabor,
Muito menos o mesmo sentido.
Um brinde à inércia! Que me salvará da morte!

Th.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Ausência


Terei de postar mais um poema hoje, fugindo um pouco do que eu estava a fazer já há algum tempo: postando somente poemas e textos meus. Hoje postei duas poesias (incríveis) do Carlos Drummond, que definem absurdamente o que sinto nesse momento da minha vida. =)


Ausência


Por muito tempo achei que ausência é falta. 
E lastimava, ignorante, a falta. 
Hoje não a lastimo.


Não há falta na ausência. 
A ausência é um estar em mim.


E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, 
que rio e danço e invento exclamações alegres, 
porque a ausência, esta ausência assimilada, 
ninguém a rouba mais de mim.


Carlos Drummond de Andrade

Quero


Quero que todos os dias do ano 
todos os dias da vida 
de meia em meia hora 
de 5 em 5 minutos 
me digas: Eu te amo. 
Ouvindo-te dizer: Eu te amo, 
creio, no momento, que sou amado. 
No momento anterior 
e no seguinte, 
como sabê-lo?


Quero que me repitas até a exaustão 
que me amas que me amas que me amas. 
Do contrário evapora-se a amação 
pois ao dizer: Eu te amo, 
dementes 
apagas 
teu amor por mim.


Exijo de ti o perene comunicado. 
Não exijo senão isto, 
isto sempre, isto cada vez mais. 
Quero ser amado por e em tua palavra 
nem sei de outra maneira a não ser esta 
de reconhecer o dom amoroso, 
a perfeita maneira de saber-se amado: 
amor na raiz da palavra 
e na sua emissão, 
amor 
saltando da língua nacional, 
amor 
feito som 
vibração espacial.


No momento em que não me dizes: 
Eu te amo, 
inexoravelmente sei 
que deixaste de ama-me, 
que nunca me amaste antes. 
Se não me disseres urgente repetido 
Eu te amoamoamoamoamo, 
verdade fulminante que acabas de desentranhar, 
eu me precipito no caos, 
essa colecção de objectos de não-amor.


Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Dor descomunal


Tudo que sei é que quero cair,
não me segurem, por favor.
Eu quero cair.
A doença da vida não me permite viver,
e a dor é cada vez maior.
Sinto, nesse momento,
um misto de depressão, agonia e desespero,
uma vontade louca de sumir,
a beira do colapso.
Mas eu devo chorar sem lágrimas,
gritar sem voz,
dormir sem sono,
viver sem vida.
Um gosto amargo de morte na boca,
e algo queima dentro de mim,
no peito no lado esquerdo.
A dor descomunal que sinto,
Que nunca antes senti
nesta existência moribunda,
me dói a alma.
Viver ou amar: eis a questão.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sobre a mutabilidade das coisas

Sabemos que o rio que agora corre não é o mesmo que correu hoje de manhã. Sabemos que a areia que agora descansa na praia não é a mesma de ontem à noite. Dessa mesma forma, são as pessoas: completamente mutáveis.


Os sentimentos são igualmente mutáveis, bem como as palavras, traiçoeiras. As pessoas, com as palavras e as atitudes, conseguem reverter sentimentos belíssimos e santos.


"Tu não és para mim senão uma pessoa inteiramente igual a cem mil outras pessoas. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo." O Pequeno Príncipe


" – Adeus – disse a raposa. – Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos." O Pequeno Príncipe