sábado, 2 de março de 2013

Reflexões de uma tarde de Março


Uma sensação que me acompanha, diariamente.
Como amiga, no inverno de minh'alma
(A única verdadeira amizade que tive - exceto meus pais).
Ela me desola e me conforta, ao mesmo tempo.
E me desespera, e nesse desespero, eu me acostumo.
Faço de minha vida este vão.
Abraço o vão como à minha vida.

Não sei bem quem sou.
Sei que sou vazia. Isso eu sei.
Sinto dentro e fora de mim. Há um grandioso vazio.
Ele me completa e me aflige.
E quando olho pro lados, enxergo em preto e branco.
As cores só variam pro cinza...
Mesmo que eu me force a usar um batom vermelho,
fingindo uma vividez que eu não tenho.

Finjo mal. Eu sei.
Meus sorrisos não conseguem contaminar nem sequer um ser...
Tamanha a falta de vontade de sorrir.
E meus abraços não procuram abraçar ninguém.
Eu não quero tolos. Prefiro a doce solidão.
Pelo menos, ela me entende.
E posso reclamar o quanto eu quiser em seus ouvidos...
Sempre prontos para me ouvir.

O que sinto dentro de mim é uma ausência.
Uma ausência de mim mesma.
Ou será que nunca me tive?
É uma extrema falta de algo essencial...
Algo como o ar, ou como o chão.
Será que esta sou eu?
Tão insignificantemente inútil?
Tão absorta? Tão morta?

Eu não consigo ser feliz.


Th. B.
02/03/2013

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Amor - pt 1

Amor, quero que acredites
Que se tu não me queres,
a vida me pode ser cortada.
E de meu ser, nenhum sussuro se há de ouvir.

Amor, saibas que não vou me aquietar
até que estejas entrelaçado a meus membros,
até que tua fronte suspire batidas sob a minha,
até que que nossas atuais insônias virem sonos de alívio.

Amor, saibas que compreendo e já sei
Sei que tua alma respira minha presença ausente,
Sei que tua mente se embebeda de meu néctar de vida,
Sei que teu ser se alimenta de minhas  palavras vagas porém sinceras.

Amor, meu amor — onde quer que estejas
Estás aqui, como fantasma no sótão,
em meio ao meu mundo dos sonhos,
onde estamos livres das inconsistências da vida.

Th. 21/11/2012

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O gelo que se finda

Profundíssimamente morta, desamparada
Sem rumo, no berço do nada...
Estava eu, minh'alma e a sorte
Inócua, gélida, absorte.

Meu coração mais se assemelhava a um deserto,
Com um futuro negro e certo.
Meus olhos fitavam o horizonte sem nada sentir,
E o corpo adequara-se a mentir.

Mentia para si próprio ao fingir que estava bem,
Mentia para os outros ao mostrar ser alguém.
Sentia-me perdida e sem afeto,
Internalizar a tristeza parecia o correto.

Nem mesmo as flores ou os mares,
Conseguiam distrair-me de meus males.
Eu postergava o medo como quem o cuida com carinho,
E acariciava seu rosto, de mansinho.

A natureza, paraíso dos poetas,
Nem ela me oferecia quaisquer metas.
Ainda me sentia frígida e descontente,
Vivia somente seguindo o presente.

Até que um estalo se dá em minha fronte,
Consigo finalmente sair do velho monte.
E palavras igualmente doloridas escuto ecoar,
No distante continente, a brilhar.

Enxergo, lá no alto, a estrela da sorte,
Que ela, e somente ela, me puxa da morte.
Seus braços fortes envolvem-me por inteira,
E, no abismo, retiram-me da beira.

E das palavras... Quem sabe, poucas?
Ou muitas? Mas ricas.
Embebedo-me sem mais pensar.
Deste néctar, hei de me deliciar.

E em teu doce coração, apoio o meu.
Sem mais temer o que perdeu,
Meu peito arde em prazer e alegria,
e sorri, em tua companhia.

Ó, e as estradas tortuosas da vida
foram nada menos, ou mais ainda, que a viga,
que estruturou-me e calejou-me, prontamente,
contra as dores e melancolias da mente.

Essas estradas, e os sentimentos em vão...
Eu os agradeço, com emoção!
Pois eles que levaram-me a ti, meu amor!
E nada, nada mais me parece sem cor.

Beije-me agora e nada mais.
Penetre em minha vida com tuas raízes fatais.
És minha ânsia, meu príncipe, meu sonho fugaz,
Alimenta-me de tuas palavras essenciais.

Beije-me agora... Como nunca beijou outro alguém!
Quero ser tua, em alma e corpo, e de mais ninguém!
Enfeitiça-lo-ei com meu perfume e olhar,
E a harpa de teu coração irei tocar.

Th.
25-09-2012

domingo, 23 de setembro de 2012

Da Minha Ausência


Banda: Dwelling

Amo-te, sem beijos, a horas marcadas. Trago-te à vida, pelo corpo que te empresto.
E pergunto-me o que buscas, nesta tua ânsia de desejo.
Procuro-me nesta ausência a que me forço na tua presença.
E, também eu inebriada nesta minha ânsia de amar, finjo-te tudo o que quero ter, 
ainda que depois te perca em completo anonimato.
Chamo a mim a tua falsa paixão, neste endorcismo distorcido.
Ainda que, findo o extâse que te empresto, queira lavar-te de mim.

Adeus, outono!

Estranho.
Sinto uma angústia. Um misto de desespero com paz. Inquietação com tranquilidade. Que me ocorre?
Estranho conseguir seguir em frente...
Simplesmente me parece que o mundo agora gira com mais força e vigor. Talvez, com mais vontade.
É isso, vontade.
Estranho.
É como se o coração estivesse, sôfrego, gritando palavras de alegria e alívio. Sem me consultar.
Ao mesmo tempo, sinto que a mente concorda. Deixou de lado a lógica por um tempo.
Tão estranho.
Novamente acordar e sorrir.
Novamente dormir sorrindo.
Estranho.
Acho que desacostumei com a felicidade.
(...)
Sinto que o coração palpita a cada palavra, cada sussurro, cada contato.
Estranho demais.
Um sorriso brotando simplesmente pela presença... Longínqua.
Aquele frio que me circulava não mais me congela.
E a tristeza do mundo não mais me exaspera.
Estranho.
O corpo deseja, impetuosamente.
A mente deseja, senão com ainda mais ímpeto.
O coração se cala... E ao mesmo tempo, grita.
Respira, coração.
Estranho.
Antes era tão fácil controlá-lo.
(...)
E ainda assim agradeço aos céus por essa dádiva.
Achei que nunca mais fosse sorrir por alguém.
De alguém.
Com alguém.
Tão estranho.
Não consegui me acostumar ainda com essa sensação de quietude n'alma.
Uma quietude sentimental.
Transbordando sensações, como vulcão em erupção.
Achei que estivesse extinto.
(...)
É, me é estranho.
Olhar para o horizonte e cobiçá-lo.
Sem aquela nostalgia maldita e aquela dor incômoda.
Tão diferente não se decepcionar.
É quase como esperar a luz, quando se é de madrugada.
Sabe-se que o dia a trará.
E tudo isso é estranho.
Não ter mais controle de si, quando se achava totalmente certa.
Totalmente deserta.
Totalmente vazia.
Sem dúvida alguma, é estranho.
É abrupto, é recente, é invasor.
Mas é o marco de uma nova era.
Onde o mar é límpido, mesmo com sua impureza.
A rosa desabrochando quando suas pétalas só caíam.
É primavera.
Adeus, outono!

Th. - midnight
23-09-2012

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Let´s spread the poetry...

What you had the best were your eyes. They used to embrace me and envolve me. I kinda like when you stopped on your way and stared at me... I looked to you with my shy tiny eyes, never pretending more than I seem. You said ''I won't lie to you. I can't lie to you. I won't lie to you''. You said some beautiful words, full of pleasure, full of desire. I was almost believin'. I never believed so easily, my dear. So easily. So easily. I asked you to tell me 'bout your life, feelings... Simple things and others not so much. My mind remembers every silly phrase... You opened up, or that's what I really thought. You said ''I won't hurt you. I won't hurt. I won't hurt you'' and staring at my eyes, you said, you said, you said. I never believed so easily... I said, I never! But now I kinda had this damn hope. I was never the one who believes and who screams, and now... I do it both... Out loud. How can I measure the hurt, since it's far too deep? You broke my heart, I need a new armor, to protect my sanity. I don't have much sanity anymore... Anymore. No more. This was the last time, I promised me. Promised me, a promise.

Th.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

My Curse

Like a disease, thy ghost.
Seems like it will never disappear.
I feel I'm a bird in a cage,
and I can never go away.

Locked inside my memories,
that haunt me everyday,
I'm a hollow heart
In a dead world.

Living without any trace of hope,
No expectation of goodness.
I see no future in anything
And nothing makes me desire.

Pain left me with inertia.
My only true friend.
I'm lost in this cruel existence
Bound to fail.

This black and white world
Is so damn cold,
cold as my non-beating heart,
that can freezes any Sun.

Love made me die,
in every little piece of heaven.
My personal hell,
my solitude.

Thou maketh my coffin,
my dearest plague.
I hope you suffer well,
fallen angel.

Th.
02/07/2012

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Are you gonna find me in July?

Uma imagem pode significar mais que um texto inteiro,
mas ainda assim eu escrevo.


As palavras, às vezes, são insuficientes
diante da magnificência dos atos.
Da vida, em si, talvez.
Um abraço ou um sorriso
muitas vezes é mais efetivo que um "eu te amo",
e sua fragilidade falsa.

O mundo gira, nessa esquizofrenia incessante,
enquanto humanos roboticamente permanecem em seu cotidiano.
Presos em escritórios, sem ver a luz do dia.
Presos em relações fracassadas, por puro comodismo.
Proferindo palavras, quase que sem sentí-las.
Na verdade, não a sentem mais.
Utilizam, única e exclusivamente,
para seus próprios fins.

Enquanto isso, se afogam, 
mais e mais, em insignificância.
Abrem mão de sua própria felicidade,
em nome do outro.
Desgastam-se diariamente,
trabalhando incansavelmente...
E não aproveitam os poucos lados bons da existência.

As pessoas sentem medo da felicidade.
Preferem ficar presas em relacionamentos ridículos,
sonhando estar com outro,
ou simplesmente sozinho.
Porém o medo as impede.
Não há ganho sem dor.
Porque temer a dor?
Porque temer o risco?
Pode-se perder, mas
se pode ganhar muito mais.

A vida é ínfima, meu filho.
Aceite-a e se embebede dela.
Viva cada dia como se fosse o último,
porque ele efetivamente pode ser.
Seja epicurista! Sim, seja!
Busque o que lhe dá mais prazer!
Existe tristeza demais nesse mundo.
Melancolia demais.
Miséria demais.
Viva.

Th.
28/06/2012