segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
sábado, 22 de janeiro de 2011
domingo, 16 de janeiro de 2011
High Hopes in Low Places
O que há
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
Descrevendo:
Álvaro de Campos,
poesia
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Crença é necessariamente conhecimento?
Ateus sabem mais de religião do que os crentes
In Muçulmanos, In Religião
Bem, isso é esquisito. O The Pew Forum on Religion and Public Life realizou um estudo em que os dito ateus responderam corretamente mais perguntas de conhecimento religioso do que os devotos. Os mórmons e judeus também marcaram bem e, como os ateus, sabem mais sobre o cristianismo que os cristãos.
Aqui estão alguns resultados surpreendentes da Pew:
Mais de quatro em cada dez católicos nos Estados Unidos (45%) não sabem que sua igreja ensina que o pão e o vinho usados na comunhão não só simbolizam, mas tornam-se realmente o corpo e o sangue de Cristo. Cerca de metade dos protestantes (53%) não pode identificar corretamente Martin Lutero como a pessoa cujos escritos e ações inspirou a Reforma Protestante, que fizeram a sua religião um ramo separado do cristianismo. Cerca de quatro em dez judeus (43%) não reconhecem que Maimônides, um dos rabinos mais venerados da história, era judeu.
Além disso, menos da metade dos americanos (47%) sabe que o Dalai Lama é budista. Menos de quatro em cada dez (38%), associam Vishnu e Shiva corretamente com o hinduísmo. E apenas cerca de um quarto de todos os americanos (27%) respondeu corretamente que a maioria das pessoas na Indonésia, país com a maior população mulçumana do mundo são muçulmanos.
Do blog O Kduko.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Quando tudo estiver esquecido, não se esqueça do rio de relâmpagos que beijei no seu sorriso
Ela por fim costurou-se inteira
e minha carne acostumou-se
à claridade.
cada detalhe seu é minha pele
mapa cozido ao som de fogo louco
cântaro de luz colhido à tempestade.
cabelos, sua raiz em testa doce,
súbito nariz e luz a boca brava
no beijo de perfume ouro lava.
seios que sei de tanto trigo
antes de o ventre abrir-se
cavalgantes ninfas
castanhas plumas cintilando aurora.
e na forma da mão a delicada bunda
pousa o gesto pássaro florindo
coxas que em mim roçam o ilimitado.
ela por fim amou-se
lua enterrada
lambida no mistério a claridade.
e minha carne acostumou-se
à claridade.
cada detalhe seu é minha pele
mapa cozido ao som de fogo louco
cântaro de luz colhido à tempestade.
cabelos, sua raiz em testa doce,
súbito nariz e luz a boca brava
no beijo de perfume ouro lava.
seios que sei de tanto trigo
antes de o ventre abrir-se
cavalgantes ninfas
castanhas plumas cintilando aurora.
e na forma da mão a delicada bunda
pousa o gesto pássaro florindo
coxas que em mim roçam o ilimitado.
ela por fim amou-se
lua enterrada
lambida no mistério a claridade.
Afonso Henriques Neto
Descrevendo:
Afonso Henriques Neto
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
This isn't a Christmas post
Não gosto dessas tradições de Natal. Acho que não tenho tantas lembranças suficientemente agradáveis para lembrar e contar. Sinto que o que mais me chama atenção são as rabanadas. Rabanadas. Tão deliciosas!
Natal para mim não tem significado e é por isso que não farei um post dedicado ao Natal. Na minha singela opinião, não preciso de datas específicas para presentear quem eu amo, nem para comer bacalhau. Não preciso torrar o décimo terceiro só para comprar lembrancinhas para todos que me rodeiam, pois quem eu realmente me importo, recebe quando eu efetivamente me lembro desta pessoa. Não preciso de um dia somente para praticar atos moralmente corretos (pois a bondade é um maniqueísmo extremamente relativo), devo praticá-lo sempre que possível. Não preciso de uma justificativa para minha atitude sã, não preciso tampouco de um motivo para me embebedar sem remorso.
Enfim... Natal para mim, assim como aniversário, é todo dia.
Natal para mim não tem significado e é por isso que não farei um post dedicado ao Natal. Na minha singela opinião, não preciso de datas específicas para presentear quem eu amo, nem para comer bacalhau. Não preciso torrar o décimo terceiro só para comprar lembrancinhas para todos que me rodeiam, pois quem eu realmente me importo, recebe quando eu efetivamente me lembro desta pessoa. Não preciso de um dia somente para praticar atos moralmente corretos (pois a bondade é um maniqueísmo extremamente relativo), devo praticá-lo sempre que possível. Não preciso de uma justificativa para minha atitude sã, não preciso tampouco de um motivo para me embebedar sem remorso.
Enfim... Natal para mim, assim como aniversário, é todo dia.
Descrevendo:
aniversário,
hipocrisia,
natal
domingo, 12 de dezembro de 2010
Meu sonho
Cavaleiro das armas escuras,
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sangüenta na mão?
Por que brilham teus olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?
Cavaleiro, quem és? o remorso?
Do corcel te debruças no dorso.
E galopas do vale através.
Oh! da estrada acordando as poeiras
Não escutas gritar as caveiras
E morder-te o fantasma nos pés?
Onde vais pelas trevas impuras,
Cavaleiro das armas escuras,
Macilento qual morto na tumba?.
Tu escutas. Na longa montanha
Um tropel teu galope acompanha?
E um clamor de vingança retumba?
Cavaleiro, quem és? - que mistério,
Quem te força da morte no império
Pela noite assombrada a vagar?
O Fantasma
Sou o sonho da tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!.
Álvares de Azevedo
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sangüenta na mão?
Por que brilham teus olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?
Cavaleiro, quem és? o remorso?
Do corcel te debruças no dorso.
E galopas do vale através.
Oh! da estrada acordando as poeiras
Não escutas gritar as caveiras
E morder-te o fantasma nos pés?
Onde vais pelas trevas impuras,
Cavaleiro das armas escuras,
Macilento qual morto na tumba?.
Tu escutas. Na longa montanha
Um tropel teu galope acompanha?
E um clamor de vingança retumba?
Cavaleiro, quem és? - que mistério,
Quem te força da morte no império
Pela noite assombrada a vagar?
O Fantasma
Sou o sonho da tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!.
Álvares de Azevedo
Sem dúvida alguma, uma das poesias mais marcantes e significantes para a minha existência. Sei de cor e salteado, e me orgulho de pode entoar tais palavras...
Descrevendo:
Álvares de Azevedo
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Soneto da escultura escandalosa
Esquentado frisão, brutal masmarro
Girava em Santarém na pobre feira;
Eis que divisa ao longe em couva ceira
Seus bons irmãos seráficos de barro:
O bruto, que arremeda um boi de carro
Na carranca feroz, parte à carreira,
Os sagrados bonecos escaqueira,
E arranca de ufania um longo escarro:
N'alma o santo furor lhe arqueja, e berra;
Mas vós enchei-vos de íntimo alvoroço,
Povos, que do burel sofreis a guerra:
Que dos bonzos de barro o vil destroço
É presságio talvez de irem por terra
Membrudos fradalhões de carne e osso!
Manuel Maria Barbosa du Bocage... ou simplesmente Bocage, o Desbocado!
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